A partida elétrica de 1912 que colocou a bateria debaixo do capô
Testado num Cadillac em 1911 e lançado no modelo 1912, o motor de arranque de Charles Kettering aposentou a manivela e deu à bateria recarregável o lugar que ela tem até hoje.
Antes de 1912, ligar um carro era um exercício físico. O motorista girava uma manivela na frente do motor, com força e com risco: se o motor engasgasse, a manivela voltava com violência. Foi para acabar com isso que Charles Kettering e seu grupo de engenheiros de Dayton, em Ohio, nos Estados Unidos, criaram o motor de arranque elétrico.
Kettering já tinha eletrificado a manivela das caixas registradoras da NCR com um pequeno motor. A ideia foi levar o mesmo princípio para o automóvel. Os testes começaram em setembro de 1910, num celeiro que servia de oficina, e em fevereiro de 1911 o sistema já funcionava num Cadillac.
A novidade não era só o motor. O conjunto trazia uma bateria de acumuladores recarregável, mais leve, fornecida por uma fabricante da Filadélfia, no lugar das pilhas secas que os carros usavam na ignição. Depois da partida, o próprio motor de arranque passava a funcionar como gerador e recarregava a bateria. Um regulador mantinha a tensão de carga estável mesmo com a rotação do motor variando.
Quero anunciarO arranjo das baterias também era engenhoso: elas podiam ser ligadas de um jeito para fornecer 6 volts aos faróis e de outro para dar mais tensão na hora da partida. Partida, ignição e iluminação elétricas chegavam juntas ao carro.
A Cadillac encomendou 12 mil sistemas em novembro de 1911 e lançou a partida elétrica no modelo 1912, considerado o primeiro carro com esse recurso. Em poucos anos o setor inteiro adotou a solução. A empresa que Kettering formou com os sócios, a Delco, passou a fazer parte da General Motors em 1918.
Um Cadillac 1912 com partida, ignição e luzes elétricas está hoje exposto no Carillon Historical Park, em Dayton. E a bateria de acumuladores que nasceu com ele continua debaixo do capô de todo carro a combustão, mais de um século depois.
Fonte original: Dayton History.
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